Posted by : Francisco Souza
domingo, 4 de março de 2018
Quem foi que apareceu a Saul ?
"Quem foi que apareceu a Saul em 1 Samuel 28.7-25?"
O relato da suposta conversa com o “espírito” de Samuel se
encontra em 1ª Samuel 28. Isso só pode ser mesmo fruto de uma teologia fraca
que na carência de evidências sólidas ou factuais precisa apelar para coisas do
tipo. Nem mesmo os imortalistas mais sérios creem que foi mesmo Samuel quem
apareceu a Saul, há muitos imortalistas honestos que admitem que se trata de um
espírito maligno se fingindo de Samuel. Temos várias razões para desacreditar
que, de fato, o espírito de Samuel tenha conversado com Saul (além do fato de
que, como vimos, não existe uma alma imortal no homem).
Preliminarmente, ressaltamos, que o
capítulo 28 de 1 Samuel, a começar do seu versículo 7 até o 25, foi escrito por
uma testemunha ocular; logo, por um dos servos de Saul que o acompanhou à
necromante: vv.7,8. Freqüentemente, esses servos eram estrangeiros e quase
sempre supersticiosos, crentes no erro - razão por que o seu estilo é tão
convincente. Esta crônica que é parte da história de Israel, pela determinação
divina, entrou no Cânon assim como os discursos dos amigos de Jó (42.7), as
afirmações do autor de "debaixo do sol" (Ec 3.19) e a fala da mulher
de Tecoa (2 Sm 12.2-21), que são palavras e conceitos meramente humanos. A
confusão gerada pelo assunto exposto no texto é porque foi analisado o ponto
de vista do servo de Saul. Todavia, sobre a questão se Samuel falou ou não com
Saul, a Bíblia é bem clara e tem argumentos definidos para desmentir todas e
quaisquer afirmações hipotéticas e asseverações parapsicológicas a seu respeito.
Examinaremos alguns desses argumentos e veremos a impossibilidade de ter sido
Samuel a pessoa com quem falou Saul:1
Quem foi que apareceu a Saul ?
1.
Argumento gramatical (v.6): "... o Senhor... não lhe
respondeu". O verbo hebraico é completo e categórico. Na condição que
Saul estava, Deus não lhe responderia e não lhe respondeu. O fato é confirmado
pela frase: "... Saul... interrogara e consultara uma necromante e não ao
Senhor...", 1 Cr 10.13,14.
2.
Argumento exegético: v.6. Nem por Urim - revelação sacerdotal (w.14,18),
nem por sonhos - revelação pessoal, nem por profetas - revelação inspiracional
da parte de Deus. Fosse Samuel o veículo transmissor, seria o próprio Deus
respondendo, pois Samuel não podia falar senão por inspiração. E, se não foi o
Senhor, não foi Samuel.
3.
Argumento ontológico. Deus se identifica como Deus dos vivos: de
Abraão, de Isaque, de Jacó: Êx 3.15; Mt 22.32. Nenhum deles perdeu a sua
personalidade e sua integridade. Seria Samuel o único a poluir-se, contra a
natureza do seu ser, contra Deus e contra a doutrina que ele mesmo pregara (1 Sm
15.23), quando em vida nunca o fez? Impossível.
4.
Argumento escatológico. O pecado de Samuel tomar-se-ia mais grave ainda,
por ter ele estado no "seio de Abraão", tendo recebido uma revelação
superior e conhecimento mais exato das coisas encobertas, e não tê-las
considerado, nem obedecido às ordens de Deus: Lc 16.27-31. Mas Samuel nunca
desobedeceu a Deus: 1 Sm 12.3,4.
5.
Argumento doutrinário. Consultar os "espíritos familiares" é
condenado pela Bíblia inteira. Logo, aceitando a profecia do pseudo-Samuel,
cria-se uma nova doutrina, que é a revelação divina mediante pessoas ímpias e
polutas. E, além disso, para serem aceitas as afirmações proféticas como
verdades divinas, é necessário que sejam de absoluta precisão; o que não
acontece no caso presente.
6.
Argumento profético: Dt 18.22. As profecias devem ser julgadas: 1 Co
14.29. E essas do pseudo-Samuel não resistem ao exame. São ambíguas, imprecisas
e infundadas. Vejamos: a) Saul não foi entregue nas mãos dos filisteus (1 Sm
28.19), mas se suicidou (1 Sm 31.4) e veio parar nas mãos dos homens de
Jabes-Gileade: 1 Sm 31.11,13. Infelizmente, o pseudo-Samuel não podia prever
este detalhe; b) não morreram todos os filhos de Saul ("... tu e teus
filhos", 1 Sm 28.19) como insipua essa outra profecia obscura. Ficaram
vivos pelo menos três filhos de Saul: Isbosete (2 Sm 2.8-10), Armoni e
Mefibosete: 2 Sm 21.8. Apenas três morreram, como anotam clara e objetivamente
as passagens seguintes: 1 Sm 31.26 e 1 Cr 10.2-6; c) Saul não morreu no dia
seguinte ("... amanhã... estareis comigo", 1 Sm 28.19). Esta é uma
profecia do tipo délfico, ambígua. Saul morreu cerca de dezoito dias depois: 1
Sm 30.1,10,13,17; 2 Sm 1.13. Afirmar que a palavra hebraica "mahar"
(amanhã), aqui, é de sentido indefinido, é torcer o hebraico e a sua exegese,
pois todos vão morrer mesmo, em "algum dia" no futuro, isto não é
novidade;
d) Saul não foi para o mesmo lugar que Samuel ("... estareis comigo", 1 Sm 28.19). Outra profecia inversossímil: interpretar o "comigo" por simples "além" (Sheol), é tergiversar. Samuel estava no "seio de Abraão", sentia isso e sabia a diferença que existe entre um salvo e um perdido. Jesus também o sabia, e não disse ao ladrão que estava na cruz: "Hoje estarás comigo no além (Sheol)", mas sim no "Paraíso". Logo, Samuel não podia ter dito a Saul que este estaria no mesmo lugar que ele: no "seio de Abraão". Porque com o ato abominável e reprovado de Saul em consultar uma feiticeira e não ao Senhor, foi completamente anulada a sua possibilidade de ir para o mesmo lugar de Samuel - o "seio de Abraão".
Ainda notamos este absurdo, analisando a
palavra "médium" (heb), que é traduzida em outras versões por
"espírito adivinhador" ou "espírito familiar" e no texto
grego (LXX) por "engastrimuthos", que significa ventríloquo, isto é,
um de fala diferente, palavra que indica a espécie de pessoa usada por um
desses espíritos.
Quem foi que apareceu a Saul ?
Assim concluímos que:
• Não foi Samuel quem apareceu e falou
com Saul, mas sim um espírito demoníaco.
• Nenhum morto por invocação humana pode
aparecer ou falar com alguém, e quanto mais Samuel.
• Todas as predições do pseudo-Samuel
estavam deturpadas. Nada se cumpriu. Isto é um verdadeiro contra-senso, visto
que, Samuel quando em vida, "nenhuma só das suas palavras caiu por terra".
1 Sm 3.19.
• Quem pratica tais coisas, a saber, invoca
os mortos, consulta necromantes, está sendo logrado pelas artimanhas de
Satanás.
• Deus é Deus dos vivos e não dos mortos:
Mt 22.32. Assim, aqueles que invocam os mortos estão indo de encontro a essa
lei básica e bíblica.
• Não existe, portanto, neste trecho nenhuma
similaridade ou abertura para supostos fundamentos de doutrinas heréticas.
Ademais, todos esses argumentos provam categoricamente a impossibilidade de
tais pensamentos. A Bíblia é a verdade.


