Posted by : Francisco Souza
sexta-feira, 2 de março de 2018
MISSÕES URBANAS
Jesus Cristo mandou pregar o evangelho a toda a criatura,
em todo o mundo. Nenhum lugar pode ficar excluído e nenhuma pessoa deve ser
considerada não-evangelizável. No Brasil, como em muitos países, 80% das
pessoas vivem nas cidades, ao contrário do que havia há poucas décadas, quando
a maior parte vivia nas áreas rurais. Este é um grande desafio para as igrejas
cristãs. As cidades têm grandes e graves problemas, próprios do crescimento
urbano desordenado a que são submetidas, tais como concentração excessiva de
pessoas, desigualdades sociais, problemas de habitação, favelas, falta de
saneamento, de saúde, etc. No que tange à evangelização, as cidades oferecem
facilidades e dificuldades, como veremos adiante. As igrejas precisam ter
estratégias de trabalho para alcançar as cidades. Há diferenças, entre
evangelizar numa Metrópole e num lugar interiorano. Neste estudo, apenas damos
uma pequena contribuição à reflexão sobre o assunto.
VII.1. FENÔMENO DAS CIDADES
No inicio de
tudo, os homens viviam em áreas agro-pastoris. Com o passar do tempo, a
escassez de bens os obrigava a sair, em busca de outros locais para
sobrevivência. Sempre houve uma tendência para os homens se concentrarem em
tomo de um núcleo populacional. A famosa TORRE DE BABEL foi uma tentativa de
concentração urbana, não aprovada por Deus. Este queria que os homens se
multiplicassem, enchendo a Terra. Damy FERREIRA (P. 139) vê a evolução das
cidades em várias etapas.
A primeira, de 5.000 a.C. a 500 d.C, até à queda de Roma,
quando se estabeleceram grandes cidades como Jericó, Biblos, Jerusalém,
Babilônia, Nínive, Atenas, Esparta e Roma. Eram as chamadas "polis".
A segunda, quando encontramos, na Renascença, já na Idade
Moderna, as cidades de Roma, Florença, Constantinopla, Londres, Paris, Toledo,
entre outras. Eram as chamadas "neópolis".
A terceira, com a Revolução Industrial, por volta de
1750, quando apareceram cidades-pólos, como Nova lorque, Chicago, Londres,
Berlim, Paris, Tóquio, Moscou, etc. São as "metrópoles", verdadeiras
cidades-mães. A última etapa, já na época atual, suirgem as
"megalópoles", com cidades-satélites e bairros ligados uns aos
outros. Dentre elas, destacam-se S. Paulo, Rio de janeiro, Tóquio, Londres, N.
lorque, etc. As cidades em geral são tratadas como de pequeno, médio e grande
porte, dependendo da população, tamanho, influência, etc.
VII.2. AS CIDADES NA BÍBLIA
Há quem pregue que as cidades são de origem humana, sem a
aprovação divina, alegando que a primeira cidade foi criada por um homicida,
Caim. E que Deus planejou um jardim e não uma Cidade (Gn 4.17).Depois do
Dilúvio, os homens procuraram fazer cidades.
Nessa visito, diz-se que há um plano diabólico para as
cidades. Elas, quanto maiores, são o refúgio ideal para criminosos, centros de
prostituição, do crime, da violência. De fato, as aglomerações urbanas, nos
moldes em que sido construídas, resultam em lugares perigosos, onde a qualidade
de vida, em geral, torna-se difícil para o bem-estar espiritual e humano.
Discordando da opinião dos que vêm a cidade como centros
mais favoráveis ao diabo, Ferreira (P. 140) diz que Deus tem planos importantes
para as grandes cidades. O Cristianismo surgiu numa grande cidade - Jerusalém -
, espalhando-se por grandes centros, como Samaria, e Antioquia. Por outro lado,
Deus mandou Abraão sair de Ur, uma grande cidade, e mandou começar a conquista
de Canal por Jericó, de porte considerável para sua época.
Linthicum, p. 27) diz que "a Cidade é campo de
batalha entre Deus e satanás" e que Ele se preocupa com o bem-estar da
Cidade (Jn 4.10) e que a atividade redentora de Deus centraliza-se em muito nas
cidades (51 46.4-5; Zc 8.3; Mc 15.21.39) ~.31>, lembrando que a vinda do
reino de Deus é descrita como a vinda de uma Cidade redimida - a Nova Jerusalém
(Ap 21-22). -2- Deus permitiu que Israel construísse cidades (Am 9.14); em
Canaã, em meio as cidades tomadas, Deus determinou que houvesse "cidades
de refúgio (Nm 35.11).
VII.3. JESUS E AS CIDADES
No seu ministério terreno, Jesus desenvolveu a
evangelização tanto na área rural como nas cidades. · Andava de cidade em
cidade(Lc 8.l); · Chegou á cidade, viu-a e chorou sobre ela (Lc 19.41); ·
mandou pregar em qualquer cidade ou povoado ~t 10.11). Seguindo o exemplo de
Jesus, a igreja atual precisa enfrentar o desafio da evangelização ou das
missões urbanas.
VII.4. DESAFIO DAS MISSÕES URBANAS
As cidades, com sua complexidade social, cultural ,
econômica, emocional e espiritual, constituem-se campo propício para atuação da
igreja ou do inferno; dos cristãos ou dos feiticeiros; dos homens de bem ou dos
assassinos. A cidade em que vivemos é campo de batalha entre Deus e o diabo; a
cidade pertencerá aos céus ou ao inferno; depende de quem agir com mais
eficiência e eficácia, com as forças dos céus ou do inimigo. Segundo LINTHICUM
(p. 23), os sistemas sociais, econômicos, políticos, educacionais. e outros, na
Cidade, estio sob a influência dos demônios, das potestades das trevas. É
preciso muito poder, muita oração, muito jejum e muita ação para que as
estruturas das cidades sejam tomadas do poder do inimigo. O desafio é grande.
1'-- o que está conosco é maior do que ele.
4.1. PONTOS FAVORÁVEIS PARA AS MISSÕES URBANAS
HESSELGRAVE (p. 71), diz que as cidades são pólos de
influência sobre toda uma área a seu redor, sendo, por isso> mais favoráveis
para a implantação de igrejas, pelas seguintes razões: 1) Abertura as mudanças;
2) Concentração de recursos; 3) Potencial para contato relevante com as
comunidades em redor.
4.2. PONTOS DESFAVORÁVEIS PARA AS MISSÕES URBANAS
1) Populações concentradas verticalmente em edifícios
fechados. Os condomínios, hoje, são quase impenetráveis aos que desejam
evangelizar pessoalmente.
2) Excesso de entretenimento. Antigamente, só havia um
pequeno campo de futebol em cidades de médio porte. Hoje, há estádios grandes,
que atraem muita gente; a televisão tirou as pessoas das ruas e as confinou
dentro de suas casas. O evangelismo pessoal é muito dificultado nessas
condições. O uso da televisão é muito caro para atingir as pessoas confinadas
em suas casas.
3) A concentração de igrejas diferentes, além das seitas
diversas, causam confusão junto à população. Cada uma evangelizando com mensagens
diferentes e contraditórias Parece que há um "supermercado da fé". Há
quem ofereça religião como mercadoria mais barata, em "promoção", com
descontos (sem exigências, sem compromissos) e há os que "cobram"
caro demais, com exigências radicais.
4) O elevado grau de materialismo e consumismo, do homem
urbano faz com que o mesmo sinta-se auto-suficiente, sem a necessidade de Deus.
5) Os movimentos filosófico- religiosos, tipo Nova Era,
apontam para uma vida isenta de responsabilidades para com o Deus pessoal,
Senhor de todos. Como enfrentar essas dificuldades?
VII.5. ESTRATÉGIAS PARA AS MISSÕES URBANAS.
1) ORAÇÃO E JEJUM PELA CIDADE. O homem pecador se
opõe a Deus (1 Co 2.14; Rm 8.7; Ef 2.1). O diabo força o homem a não buscar a
Deus (Ef 2.2; 2 Co 4.4). Qualquer plano de evangelização por melhor que seja,
com recursos, métodos, estratégias, fracassará, se tiver o PODER DE DEUS. Este
só vem pela busca, pela Oração. Deus age. Fp 1.29; Ef 2.8; Jo 6.44. Os demônios
infestam as cidades. Só são expulsos pelo poder da oração (Sl 122; Jr 29.7; Lc
19.41). A oração é a base.
2) PREPARO DAS PESSOAS PARA A EVANGELIZAÇÃO DAS
CIDADES. Esse preparo refere-se ao estudo da Palavra de Deus. É o preparo na
Palavra (2 Tm 2.15). As seitas preparam bem seus adeptos. As igrejas precisam
gastar tempo e recursos no preparo dos que evangelizam.
3) PLANEJAMENTO DA EVANGELIZAÇÃO. O sucesso da
evangelização depende do Espírito Santo. Só Ele convence o pecador (Jo 16.8).
Entretanto, no que depende de nós, precisamos fazer o que está ao nosso
alcance, a nossa parte.
a) Definir áreas a serem evangelizadas. (Bairro,
quarteirão, ruas)
b) Definir os grupos de evangelização
c) Distribuir as áreas com os grupos (Rua tal com
grupo tal; ou quarteirão tal com tal grupo, etc.
d) Estabelecer metas ou alvos (nº de decisões,
pessoas batizadas, etc..)
e) Preparar os meios necessários: literatura,
equipamentos, recursos financeiros, etc.
f) Mobilizar todos os setores da igreja para a
execução do que for planejado: jovens, adolescentes, adultos, com a LIDERANÇA À
FRENTE.
VII.6. MÉTODOS DE EVANGELISMO PARA AS MISSÕES
URBANAS
6.1. EVANGELISMO PESSOAL. E o mais tradicional e
muito eficiente, principalmente nos bairros mais pobres. Inclui pessoa a
pessoa; casa-em-casa; evangelização em aeroportos, em bares e restaurantes;
co~tagem (venda de livros); ev. em estações rodo e ferroviárias; na entrada de
estádios ; em feiras-livres; em filas (INAMPS, bancos, ônibus, etc.); em
hospitais, penitenciárias, em escolas (intervalos de aula);
6.2. EVANGELISMO EM GRUPO. Inclui evangelização de
grupos de pessoas: grupos de alunos, de professores, de menores abandonados, de
homossexuais, de prostitutas, e também os já conhecidos GRUPOS FAMILIARES, ou
células de evangelização; reuniões especiais em restaurantes, chás, classes na
Escola Dominical (foi criada para isso); evangelização com fitas cassete e de
vídeo (reúne-se um grupo);
6.3. EVANGELISMO EM MASSA. Inclui cultos ao
ar-livre, série de palestras ou conferências nas igrejas; cruzadas
evangelísticas, campanhas. Só tem valor se houver uma preocupação séria com o
DISCIPULADO. E melhor preparar , primeiro, as pessoas para fazer o discipulado
antes de fazer a evangelização.
VII.7. DISCIPULADO.
É indispensável que, em cada igreja ou congregação,
haja grupos ou setores de discipulado, que integrem o novo converso de maneira
segura e acolhedora. Sem esse trabalho, toda a evangelização fica frustrada.
Perdem-se mais de 90% das decisões em pouco tempo.
VII.8. MEIOS PARA A EVANGELIZAÇÃO URBANA.
1) Programas de rádio e de televisão;
2) Adesivos para veículos;
3) Revistas, e jornais para autoridades,
consultórios médicos;
4) Apresentações de corais, bandas e conjuntos em
público, em praças, em escolas, em bancos, em repartições;
5) Distribuição de Bíblias a autoridades;
6) Literatura (folhetos) bem selecionados;
7) Exposição de Bíblias e de literatura evangélica;
8) Artigos em jornais da cidade;
9) Telefone; Whatsapp
10) Cartas e cartões-postais; e muitos outros...
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Como
elaborar uma estratégia de Evangelização:
1.Definir os objetivos: É necessário definir o que se pretende realizar, qual
povo alcançar. Sem objetivo não há estratégia.
2.Fazer levantamento dos recursos: O que temos é suficiente para alcançar o
objetivo proposto? Caso contrário, deve-se optar por outro objetivo, ou esperar
até que os recursos sejam suficientes.
3.Estabelecer prazos: Para alcançar o objetivo proposto, com os recursos
levantados, quanto tempo levará? Teremos condições de alcançá-lo em quanto
tempo?
4.Elaborar métodos flexíveis e precisos: Os métodos para alcançar os objetivos
devem moldar-se às circunstâncias e características do campo.Não devem ser
rígidos. Ao executar o projeto, este deverá estar apto a sofrer alguns ajustes
e reformulações.
5.Avaliar o projeto: Após a execução do projeto, deve-se alaviar os resultados
e extrair os conhecimentos necessários para melhor aplicá-los no futuro e obter
sucesso ao findar o trabalho.Não podemos deixar de frisar novamente que toda
estratégia deverá ser dirigida e confirmada pelo Espírito Santo. Caso
contrário, estaremos fazendo Missões apenas no sentido técnico, e não com a
unção do Espírito, causando desperdício de esforços e recursos. Por outro lado,
não podemos nos esquecer da necessidade da estratégia, para não corrermos o risco
de estarmos utilizando mal os meios que o Senhor nos deu para uma evangelização
eficaz.

