Posted by : Francisco Souza
sexta-feira, 2 de março de 2018
GideãoHomem Valente ou Homem Tímido?
Os
midianitas oprimiam os israelitas, ao longo de 7 longos anos. A cada ano que
passava, os habitantes de Midiã tinham por hábito invadir a terra dos hebreus e
apossar-se dos seus produtos alimentares, assim como de todos os seus animais.
Para sobreviver, os israelitas habituaram-se a esconder os alimentos do
inimigo, antes que o mesmo atacasse.
Gideão
estava a preparar comida para escondê-la, quando o Anjo de Senhor apareceu.
Imagine este homem, a trabalhar com medo do inimigo, quando, de súbito, ouviu
as palavras do Anjo: “O Senhor é contigo,
homem valente” (Juízes 6.12). Pela resposta de Gideão, percebemos que ele
nem sequer pensou no significado da expressão”homem valente”, pois entrou directamente em discussão com o Anjo
sobre a presença de Deus. Ele não entendia como é que Deus, estando com o povo,
poderia deixar Israel sofrer. Deus continuou a conversa, desafiando Gideão a
resolver o problema. Já que ele duvidara da presença de Deus, deveria ir na sua
própria força (Juízes 6.14). Isso não! Gideão, agora, sentia-se de tal forma
incapaz, que procurava esquivar-se à missão dada por Deus. Ele explicou que era
uma pessoa insignificante, de uma família sem importância, de uma tribo sem
destaque. Gideão não se apresentou ao Senhor como homem valente, porem Deus
iria fazer dele um líder corajoso.
A
verdadeira força do servo do Senhor não vem de si mesmo, e sim de Deus. Ninguém
é forte o bastante para resolver os seus próprios problemas sozinho,
especialmente quando falamos sobre o nosso problema principal: o pecado.
Dependemos
de Deus e da Sua Graça (Efésios 2.8-9). Paulo disse: “tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4.13).
Os
homens valentes, hoje em dia, são aqueles que confiam no Senhor.
O Clamor
Como
já vimos, o estado espiritual de Israel estava deteriorado. Como consequência,
também o estado económico e politico decaiu, tornando a vida naquele pais um
desespero. Os filhos de Israel semearam rebeldia, prostituição e idolatria e
colheram os seus frutos. Diante de tamanha debilidade com a presença maciça e
destruidora dos midianitas, os filhos de Israel, então, clamaram ao Senhor.
O
clamor é diferente da oração. Na oração, as palavras soam como súplicas ou até
mesmo em forma de gemidos. Mas o clamor não! O clamor só é expresso perante uma
situaçãode extremo desespero. É preciso chegar ao fundo do poço ou no limite da
dor e aflição para se estar habilitado ao clamor.
Quando
os autores sagrados registam o clamor dos filhos de Israel, trata-se realmente
da expressão mais profunda de angústia, dor e desespero. Porque enquanto se
conta com o fio de esperança nos próprios recursos, não é possível manifestar o
verdadeiro clamor.
O Chamamento de Gideão
Já
vimos que Deus fez surgir lideres em Israel em diferentes ocasiões, perante
diferentes situações. Assim foi com Otniel, Eúde, Sangar, Débora e Baraque. Mas
o chamamento de Gideão foi um caso à parte, tendo em consideração que o próprio
Anjo do Senhor, provavelmente o Senhor Jesus, veio, pessoalmente, à sua presença.
A aparição do Senhor no seu chamamento mostra que Gideão tinha algo que o
diferenciava dos seus antecessores. Deus não apareceu, pessoalmente, a todos os
Seus escolhidos, apenas alguns foram especiais. Abraão, Isaque, Jacó, Moisés e
Josué foram dos poucos privilegiados até aquela época. E Gideão faz parte dessa
lista especial. Mas, porquê?
Porque
o coração de Gideão “pulsava” de acordo com o de Deus! A sua profunda expressão
de revolta e indignação, na realidade, era a de Deus!
O
sofrimento e a dor de um povo reflecte o sentimento de Deus pela humanidade. E
quando alguém sente essa mesma dor de Deus, é sinal de que está a ser chamado.
No diálogo com o Anjo, Gideão manifestou o que Deus tinha no coração: revolta e
indignação pela calamidade imposta pelos inimigos ao Seu povo. Por isso, Deus
veio pessoalmente até ele!
Aos
olhos de Gideão não era admissível aceitar a crença num Deustão poderoso e
viver oprimido pelos inimigos. Como seria possível crer num Deus Todo-Poderoso
e viver nos limites do desespero, da opressão e da dor?
Só
mesmo uma fé destituída de inteligência pode combinar a crença em Deus com a
fome, miséria, dividas, doenças, lares destruídos, enfim, com a desgraça total!

